Ressignificar para regenerar: o resíduo têxtil como material do futuro

Virginia Purper

Todos os anos, mais de 170 mil toneladas de resíduos têxteis são descartadas no Brasil. A maior parte segue para aterros ou é queimada, agravando impactos ambientais e desperdiçando um volume significativo de recursos. Por trás da moda, existe uma cadeia de excesso, descarte e invisibilidade. O resíduo têxtil, por ser formado por misturas complexas de fibras, é de difícil reaproveitamento. Ligantes têxteis sustentáveis, eficazes e economicamente viáveis ainda são ausentes no mercado brasileiro.

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Foi com esse desafio em mente que nasceu a ECOYÁ, uma startup que atua na fronteira entre sustentabilidade, design e inovação. Nosso foco é ressignificar esse descarte, desenvolvendo soluções sustentáveis que unam impacto ambiental positivo, design funcional e valor social. Acreditamos que resíduos podem ser revalorizados como superfícies criativas e regenerativas, abrindo caminho para novos usos e mercados.

Conectar saberes para inovar com sentido

A proposta da ECOYÁ vai além da reciclagem. É sobre design regenerativo: repensar como criamos, usamos e descartamos materiais, colocando a natureza, a inclusão social e a circularidade no centro do processo produtivo. Para isso, a conexão com ambientes de conhecimento e pesquisa é essencial.

É nesse ponto que entra a Universidade Federal de Santa Maria. Por meio da Pulsar Incubadora e do ecossistema da InovaTec UFSM, a ECOYÁ foi selecionada para participar de uma jornada de capacitação específica voltada a startups em fase inicial, o que tem sido fundamental para consolidar o modelo de atuação e a estruturação do negócio. As mentorias técnicas e estratégicas têm nos ajudado a amadurecer a solução, identificar caminhos de validação e conexões com ecossistemas de inovação.

Essa relação empresa-universidade é vital para que ideias ganhem forma, rigor e coerência com os desafios do presente.

Soluções circulares para desafios sistêmicos

Mais do que produto, buscamos propor uma nova lógica de valor. Em vez de extrair, produzir e descartar, propomos regenerar. Isso significa gerar materiais circulares, de baixo impacto, e ao mesmo tempo, promover inclusão produtiva de catadores e pequenos produtores locais, por meio da produção descentralizada de placas sustentáveis.

Em um momento em que a sustentabilidade é muitas vezes esvaziada como palavra, precisamos recheá-la de estratégia, de soluções concretas e de colaboração. E é por isso que a interação entre startups e universidades é tão potente: alia agilidade criativa com profundidade científica, ajudando a transformar resíduos em legado.

Ressignificar o que é descartado é um ato urgente. Mas, acima de tudo, é um ato de futuro.

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